Luanda – A Comissão de Moradores da Cidade do Kilamba manifestou publicamente o seu descontentamento com a actuação da Administração Municipal do Kilamba, na sequência do caso de agressão física sofrida por uma adolescente de 17 anos, identificada como Bruna Caldeira, ocorrido em Dezembro de 2025.
Fonte: Club-k.net
Segundo a Comissão, o episódio ganhou notoriedade após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, que mostra a jovem a ser brutalmente agredida por duas outras adolescentes, igualmente residentes no Kilamba. O vídeo terá sido prontamente encaminhado às autoridades policiais locais, levando o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) do Kilamba a proceder, de forma célere, à detenção das duas agressoras e da jovem que filmou a agressão.
Após o incidente, o presidente fundador da Comissão de Moradores, Manuel Victoriano Resende, afirma ter entrado em contacto com a vítima, apercebendo-se do seu estado de vulnerabilidade psicológica e social. De acordo com o activista, Bruna encontra-se fora do sistema de ensino, vive com a avó idosa e enfrenta problemas familiares, carecendo de acompanhamento psicológico e de apoio social institucional.
Perante a situação, Resende dirigiu-se no dia 18 de Dezembro de 2025 à Administração Municipal do Kilamba, acompanhado da jovem, com o objectivo de solicitar apoio social e uma vaga escolar para que Bruna pudesse retomar os estudos. No entanto, segundo o relato, apesar de ter permanecido várias horas na sala de espera, o administrador municipal, Arlindo dos Santos, não o recebeu, alegando-se inicialmente a sua ausência.
O activista sustenta que o administrador esteve presente no edifício durante todo o período e que, mesmo após insistências, o atendimento apenas ocorreu de forma indirecta, através do director do Gabinete do Administrador, Dr. Bernardo, encontro que terá sido interrompido pouco depois, sem qualquer encaminhamento concreto do caso. A orientação dada foi para que o pedido fosse formalizado por escrito.
A Comissão de Moradores considera inaceitável que um caso classificado como socialmente sensível não tenha merecido uma resposta imediata da Administração Municipal, nomeadamente através da activação dos serviços municipais da Educação e da Acção Social.
Face à falta de resposta institucional, Manuel Resende recorreu a outras entidades e personalidades. O acompanhamento psicológico da jovem foi assegurado com o apoio do DIIP, enquanto um empresário local ofereceu bolsas de estudo para o ensino geral e superior. Paralelamente, a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC) foi accionada para intervir junto do colégio onde Bruna estudava, que se recusava a devolver o seu certificado escolar.
O caso foi ainda levado ao Governo Provincial de Luanda, onde o activista manteve contactos com a direcção do gabinete do vice-governador para o sector Político e Social, tendo sido prometido um novo encontro para abordar os problemas sociais identificados na Cidade do Kilamba.
Em nota pública, a Comissão de Moradores acusa o administrador municipal de apenas receber cidadãos “da sua conveniência” e defende uma postura mais aberta e próxima da sociedade civil, sobretudo em situações que envolvem menores e vítimas de violência.