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7/5/2026

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Angola: Entre as Ideias Loucas e os Infernos que Fingimos Não Ver - Denílson Duro

Angola: Entre as Ideias Loucas e os Infernos que Fingimos Não Ver - Denílson Duro
Luanda - Dizem que para uma ideia mudar o mundo, ela precisa primeiro parecer insana. Em Angola, porém, algumas ideias nem chegam a parecer insanas; parecem simplesmente impossíveis. Falar de meritocracia numa instituição dominada por compadrios, defender transparência onde a opacidade virou método de gestão, ou acreditar que a competência deve valer mais do que a filiação, é frequentemente tratado como um exercício de ingenuidade política. Fonte: Club-k.net Mas talvez o maior problema não seja a falta de ideias ousadas. O problema é que cada um de nós carrega no coração o inferno que deseja evitar. O funcionário que condena a corrupção, mas procura um “atalho” quando precisa resolver um problema. O político que denuncia o culto à personalidade, mas sonha secretamente em ser idolatrado. O cidadão que exige mudança, mas teme perder os pequenos privilégios que o sistema lhe oferece. Assim, Angola tornou-se uma curiosa fábrica de paradoxos. Todos reclamam do estado das coisas, mas muitos alimentam silenciosamente os mecanismos que mantêm tudo igual. Queremos instituições fortes, desde que não contrariem os nossos interesses. Defendemos a justiça, desde que ela não alcance os nossos aliados. Exigimos competência, mas continuamos a premiar a lealdade acima da capacidade. A ironia é que as ideias verdadeiramente revolucionárias já nem são tão revolucionárias assim. Hoje, a grande ousadia talvez seja cumprir a lei, respeitar os procedimentos, valorizar o conhecimento e aceitar que os cargos públicos não são heranças familiares nem recompensas partidárias. Num país habituado ao improviso, a normalidade tornou-se um acto de rebeldia. Talvez Einstein tivesse razão: sem ideias que pareçam loucas não existe esperança. E talvez Dorian Gray também estivesse certo: o maior inferno não está à nossa volta, mas dentro de nós. Porque o futuro de Angola não será derrotado pela falta de sonhos impossíveis. Será derrotado se continuarmos a combater nos outros os vícios que secretamente cultivamos em nós mesmos. Eis a tragédia angolana: sonhamos com a mudança enquanto negociamos diariamente a sua derrota.  

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