Guiné-Bissau: Conselho de transição “congela” relações com Cabo Verde
A decisão
surge em resposta ao apelo feito pelo Governo cabo-verdiano na terça-feira, que
solicitou a libertação de Domingos Simões Pereira e manifestou disponibilidade
para mediar uma solução pacífica para a crise guineense.Em comunicado
lido pelo porta-voz Fernando Vaz, o CNT rejeita a legitimidade das autoridades
cabo-verdianas para comentar processos políticos e judiciais em curso na
Guiné-Bissau e considera ainda que a exigência de soltura de figuras políticas
locais constitui uma "ingerência na soberania nacional".Além das
críticas directas à postura diplomática da Praia, o CNT alegou que o Governo de
Cabo Verde actua sob influência externa, alinhando-se a interesses europeus em
detrimento de uma pauta regional africana.O porta-voz
afirmou ainda que a política externa cabo-verdiana estaria a confundir posições
partidárias com a acção diplomática do Estado.O comunicado
resgatou tensões históricas do período entre 1973 e 1980, mencionando alegações
de violações de direitos humanos e o desaparecimento de cidadãos guineenses, ao
mesmo tempo reforçou o papel histórico desempenhado por combatentes da
Guiné-Bissau na independência de Cabo Verde.Sobre o
cenário regional, o CNT contestou a autoridade de Cabo Verde no âmbito da
Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), argumentando que
o país não teria legitimidade para influenciar decisões colectivas sobre o
processo guineense.Apesar da ruptura
no plano oficial, as autoridades de transição fizeram uma distinção entre a
gestão governamental e a população cabo-verdiana."O povo
guineense e o povo cabo-verdiano são e serão sempre irmãos", sublinha o
texto lido por Fernando Vaz, assegurando que os laços históricos entre as duas
nações devem ser preservados apesar das divergências diplomáticas entre os actuais
executivos.O CNT concluiu
o documento exigindo “respeito pela soberania” da Guiné-Bissau e reafirmando a
rejeição “a qualquer tipo de interferência externa”.A posição do
CNT foi transmitida numa nota lida por Fernando Vaz em declarações aos
jornalistas locais e veiculadas nas redes sociais.O presidente
do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde
(PAIGC), Domingos Simões Pereira, foi colocado em prisão preventiva no passado
dia 10 nas celas da Segunda Esquadra de Bissau, por ordens de um Juiz de
Instrução Criminal (JIC).Simões
Pereira, que é igualmente presidente eleito do parlamento guineense, está a ser
investigado pelo Tribunal Militar por alegada participação numa tentativa de
golpe de Estado em Outubro de 2025.Os militares
tomaram o poder em 26 de Novembro de 2025 na Guiné-Bissau e substituíram o
parlamento por um Conselho Nacional de Transição.Uma das
primeiras medidas do Conselho foi a alteração da Constituição da República da
Guiné-Bissau que passa a dar mais poderes ao Presidente da República.A proposta da
realização de um referendo popular surgiu recentemente para que os guineenses
se possam pronunciar sobre as alterações, em 30 de Agosto.O referendo
nacional sobre a nova Constituição ocorrerá cerca de três meses antes das novas
eleições gerais, presidenciais e legislativas, marcadas para 06 de Dezembro.Os guineenses
foram a eleições em 23 de Novembro de 2025, mas acabaram interrompidas, sem a
divulgação dos resultados, por um golpe de Estado em que os militares tomaram o
poder.A oposição
considerou tratar-se de um “golpe palaciano” e de “uma encenação” do anterior
Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo
mandato.O candidato da
oposição, Fernando Dias da Costa, reclamou vitória na primeira volta, apoiado
pelo PAIGC que, pela primeira vez, foi impedido de ir a eleições por decisão
judicial.O presidente
do histórico PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerado o principal líder da
oposição ao regime, foi detido no golpe de Novembro de 2025 e permanece em
prisão domiciliária.Simões Pereira
está a ser investigado pelo Tribunal Militar e é considerado suspeito de
participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em Outubro de 2025,
cerca de um mês antes das eleições gerais e do golpe militar consumado.
7/15/2026 8:28:28 AM