Ibovespa fecha em queda com cenário eleitoral do Brasil no radar

Desde os primeiros minutos desta quarta-feira, o Ibovespa adotou um movimento mais negativo, em linha com outras bolsas emergentes. A divulgação de uma pesquisa da Genial/Quaest, que trouxe de volta a possibilidade de que a eleição presidencial possa terminar no primeiro turno e garantir uma vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pesou sobre os ativos domésticos. Ao mesmo tempo, a queda da maior parte das blue chips ajudou a ampliar as perdas do índice, em uma sessão marcada pela baixa liquidez. Dessa forma, os efeitos positivos trazidos por um índice de preços ao produtor americano (PPI, na sigla em inglês) abaixo do esperado, somados aos de um CPI mais fraco registrado ontem, acabaram sendo reduzidos ao longo do pregão. Perto do fechamento da sessão, porém, o Ibovespa se afastou das mínimas e encerrou com queda de 0,36%, aos 176.011 pontos, distante dos 175.288 pontos vistos no pior momento do dia. Entre as blue chips, as ações de commodities encerraram mistas: as PN da Petrobras recuaram 0,17%, enquanto as ON da petroleira subiram 0,11%, o que pode indicar compra do papel por parte de investidores estrangeiros; já as ON da Vale avançaram 0,68%. Bancos, por outro lado, terminaram em queda, com exceção das ON do Bradesco, que subiram 0,31%. A liderança das maiores perdas ficou para as units do Santander, que cederam 1,24%. Segundo a pesquisa Quaest, Lula conseguiu 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Além disso, o levantamento mostrou o aumento da rejeição de Flávio, que passou de 52%, em abril, para 57% agora. O gestor de ações da Nest Asset Management, Luís Castro da Fonseca, avalia que a pesquisa ajudou a piorar o mau humor do mercado, mas de maneira mais contida. Para ele, o levantamento não mostrou uma “mudança estrutural” na pesquisa, mas, sim, uma “piora na margem” em relação às pesquisas anteriores. Da Fonseca observa que a vantagem de Lula em relação a Flávio aumentou de 6 para 8 pontos percentuais, o que seria uma diferença pequena e dentro da margem de erro. Embora o levantamento tenha trazido de volta ao radar do mercado a possibilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno, o executivo vê o cenário como “improvável” neste momento. “Seria necessária uma melhora substancial nas intenções de voto de Lula [presidente] para que esse cenário se tornasse realmente o cenário-base com o qual o mercado passe a trabalhar”, diz o gestor da Nest. Para um gestor, que não quis se identificar, a pesquisa da Quaest é negativa ao apontar para a possibilidade de que a eleição possa ser vencida no primeiro turno, mas pode ser positiva para eventuais ajustes nas chapas, que devem ser anunciados nas próximas semanas. “Se o Flávio [Bolsonaro] ficar mais perto do Lula [presidente] nas pesquisas, cria-se uma expectativa de que o Flávio é competitivo e que podemos seguir com ele. Quando a pesquisa piora para ele, isso pode ser positivo para mudanças nas chapas, que devem sair em breve”, diz o profissional. Para ele, a rejeição do pré-candidato do PL está elevada e não há chance de reversão, especialmente dentro do eleitorado feminino após falas de apoiadores contrárias ao voto de mulheres. Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa hoje foi de R$ 15,6 bilhões e de R$ 21,0 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices terminaram no azul: o Nasdaq subiu 0,62%; o S&P 500 ganhou 0,38%; e o Dow Jones exibiu valorização de 0,29%.

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